domingo, 2 de novembro de 2014

                                CARIDADE
         

            Hoje tive a minha primeira experiencia com trabalho voluntário, acordei cedinho e fui para o Lar de idosos Francisco de Assis. Aceitei o desafio e fui sem saber de fato o que me esperava, no fundo estava com um frio na barriga, pois fui informada que lá havia muita coisa pra fazer, que as necessidades dos idosos são inúmeras e urgentes. E eu, que não tenho a menor afinidade com a área da saúde, fui achando que não seria capaz de ajudar, mas decidi tentar.
           Fui recepcionada por um grupo reunido no auditório em um momento de oração, um ambiente tranquilo, poucas pessoas e todas muito envolvidas, muito presentes. Um funcionário nos instruiu e citou as tarefas que deveriam ser realizadas, sem impor nada a nenhum de nós, o grupo da manhã ficou responsável pela limpeza dos quartos, pegamos o material e partimos para a ação.
            Uma parte dos idosos ainda estava dormindo, no primeiro quarto fiquei sozinha, comecei pelo banheiro, enquanto lavava, ao mesmo tempo observava a situação daquelas pessoas que ali estavam, nas suas histórias, me perguntei onde estariam as suas famílias, se tinham filhos...
Inevitavelmente pensei em meu futuro, confesso que fiquei com medo de terminar meus dias longe de meus familiares, entregue a boa vontade de funcionários e voluntários, me senti tão triste...
Quando fui limpar o corredor, um Senhor caminhando com muita dificuldade, pediu que eu pegasse água pra ele, quando voltei, ele me contou um pouco de sua vida, ouvi atentamente procurando entender a razão que o havia levado até aquele lugar. 
            Fui depois para a ala feminina, que ao contrário da masculina, era mais cheia de vida, de música e de fé. As senhoras são mais abertas ao diálogo, o que me deixou mais a vontade, até o serviço terminou mais rápido rs.
           
Uma senhora me chamou para perguntar se eu estava ali ajudando na limpeza porque tinha um parente lá, ou se eu estava estagiando para trabalhar, olhei pra ela e respondi que eu tinha parentes lá sim. Ela me olhou com um sorriso e perguntou é mesmo? quem é? eu devolvi o sorriso e respondi: Todos vocês. 

Resumindo: sai de casa achando que iria ajudar pessoas, e na realidade foram elas que me ajudaram, os que ficaram silenciosos, os que fingiram que eu não estava ali, os que conversaram comigo, todos, cada um de seu jeito, me ajudaram a enxergar que nesta vida, todos precisamos uns dos outros, que independente de status, profissão, condição social, todos precisamos de ajuda, todos somos frágeis diante da vida, aprendi também, que a caridade é a maneira mais digna de agradecer a Deus por cada dia em que abrimos os olhos para o mundo.